loading . . . Sete em cada dez brasileiros avaliam que o país deveria fazer mais no combate às mudanças climáticas, mostra pesquisa Sete em cada dez brasileiros (71%) avaliam que o país deveria fazer mais na luta contra as mudanças climáticas — valor que supera a média global (59%). É o que mostra novo levantamento do instituto Ipsos, divulgado nesta quarta-feira. A geração nascida entre 1946 e 1964, hoje com idade entre 60 e 79 anos, é a que mais concorda com a afirmação (77%), enquanto aqueles nascidos entre 1997 e 2012 têm o menor percentual de concordância (67%). As mulheres brasileiras também esperam mais do Brasil em relação ao tema: 75% versus 66% dos homens.
Entenda: Troca de ministros, racha no governo Lula e eleições atrasam plano de transição energética
BR-319: Governo usa dispositivo vetado por Lula e retomado pelo Congresso no novo licenciamento para acelerar obra
O relatório aponta também que, embora três dos últimos quatro anos tenham sido os mais quentes registrados no mundo, o desejo individual de agir em relação às mudanças climáticas diminuiu nos 26 países estudados desde 2021. O Brasil, no entanto, foi o que apresentou a menor queda entre as 31 nações mensuradas em 2026. Foram 7 pontos percentuais a menos em um ano, chegando a 70%. A média global é de 61%.
Os pesquisadores avaliam que a mudança não reflete apatia com relação ao tema, mas sim uma transferência de responsabilidade:
— Os cidadãos estão, cada vez mais, buscando a liderança dos governos e das empresas, por entenderem que o peso da ação não pode recair apenas sobre os indivíduos. Nesse sentido, os dados nos mostram não uma história de indiferença, mas de exaustão e mudança de expectativas — afirma Priscilla Branco, Diretora de Opinião Pública da Ipsos no Brasil.
O relatório chegou à conclusão de que há uma divisão de atitude entre os países de acordo com a situação econômica. Em nações de renda média, 71% acham que mais ações precisam ser tomadas. Já em países de alta renda apenas 53% compartilham dessa opinião, apesar de os mais ricos, historicamente, demonstrarem maior responsabilidade pelas causas das mudanças climáticas.
Falta de liderança
A pesquisa identificou também uma percepção de falta de liderança por parte dos governos em todo o mundo em relação ao problema. Poucos acreditam que suas nações seja um líder mundial no combate às mudanças climáticas: em 31 países, 27% concordam que seu país se coloca como um líder mundial no tema, enquanto 34% discordam. No Brasil, que sediou em novembro a COP30, 34% concordam com a afirmação e 31% discordam.
Os dados demonstram também que 74% dos entrevistados globalmente estão preocupados com o aumento dos preços da energia. Metade do público (50%) apoia que governos priorizem preços baixos, mesmo que isso aumente as emissões. Além disso, apenas 46% confiam que sua região terá eletricidade suficiente para o futuro.
A pesquisa foi realizada em 31 países entre os dias 23 de janeiro e 6 de fevereiro deste ano. A lpsos entrevistou um total de 23.704 adultos. No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente. http://dlvr.it/TS9bqM