loading . . . Combustíveis adulterados são principal causa de autuação de postos em Niterói; bairro da Zona Sul concentrou infrações em 2025 A fiscalização contra irregularidades em postos de combustíveis em Niterói resultou em 33 infrações e nove interdições em 2025. O levantamento feito pelo GLOBO-Niterói a partir da base de dados disponibilizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também revelou que praticamente metade de todas as infrações (48,5%) e quase 80% das interdições ocorreram em Santa Rosa.
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O principal motivo das autuações foi a venda de combustíveis fora dos padrões da ANP. Em pelo menos 20 ocasiões, fiscais identificaram gasolina, óleo diesel ou etanol sendo comercializados fora das especificações legais, o popular combustível batizado. O balanço ainda especifica que as principais formas de adulteração foram o excesso de etanol na gasolina e a comercialização de diesel com alto teor de enxofre.
Outras irregularidades encontradas foram a comercialização de produtos sem nota fiscal ou de marcas diferentes daquelas exibidas no estabelecimento, falta de documentos necessários para funcionamento, e rompimento dos lacres de interdição.
Santa Rosa lidera o ranking de problemas na cidade. O recordista de punições foi num posto na Rua Doutor Mario Viana, que acumulou nove infrações e três interdições pela venda de gasolina e óleo diesel batizados. No mesmo bairro, um estabelecimento na Rua Noronha Torrezão somou sete infrações e quatro interdições em 2025, a maioria também por irregularidades na gasolina.
Icaraí aparece como o segundo bairro com mais registros. Foram cinco infrações no total, todas concentradas em um único estabelecimento na Rua Santa Rosa. Entre os problemas detectados estão óleo diesel reprovado, etanol adulterado, falha na identificação dos combustíveis e o descumprimento de notificações da ANP.
O levantamento também aponta irregularidades na Zona Norte, na Região Oceânica e no Centro. No Fonseca, dois estabelecimentos na Alameda São Boaventura foram autuados: um por vender produtos de marca diferente da exibida e outro, que acabou interditado, por excesso de álcool na gasolina.
Ainda na Zona Norte, um posto na Rua Noronha Torrezão, no Cubango, acumulou três infrações e uma interdição. As falhas incluíram falta de documentação e a ausência de drenagem no fundo do tanque de óleo diesel — mesma irregularidade encontrada em um posto na Avenida Amaral Peixoto, no Centro.
Sinais de adulteração
Já na Região Oceânica, o único registro ocorreu na Avenida Doutor Raul de Oliveira Rodrigues, em Piratininga, onde um posto recebeu três infrações por gasolina reprovada.
Pelo menos dois postos não regulamentados operando na cidade, não identificados pela base de dados, também foram alvo de infrações.
Não é fácil para o motorista perceber que o combustível foi adulterado, a menos que a péssima qualidade seja muito evidente ou que o motorista tenha um conhecimento acima da média sobre o veículo, explica o professor Levi Salvi, do Departamento de Engenharia Civil da UFF. Segundo ele, o principal sinal para diagnosticar um combustível ruim é perceber se o veículo está com desempenho abaixo do normal:
— Demora para desenvolver velocidade, principalmente nas rampas de subida, consumo de combustível maior do que o normal para um mesmo percurso diário e dificuldade para dar a partida no veículo são indicativos. Existem outros problemas menos comuns que podem ocorrer, como aquecimento exagerado do motor e odor estranho saindo do escapamento.
Salvi explica que os produtos usados para adulterar combustíveis têm impurezas e solventes prejudiciais ao funcionamento de vários componentes do veículo.
— Essas substâncias podem entupir e danificar bicos injetores e bomba de combustível, danificar mangueiras, borrachas, plásticos e óleo lubrificante. O uso frequente do combustível adulterado também pode dificultar a lubrificação do motor, provocando aquecimento e rápido desgaste — explica.
O engenheiro afirma que o ideal é o consumidor abastecer em postos de sua confiança e desconfiar de preços muito abaixo do mercado, pois há pouca variação nos valores cobrados pelos combustíveis de um estabelecimento para outro.
Embora o volume total de infrações tenha caído levemente, de 35 autuações em 2024 para 33 no último ano, o número de interdições em postos de Niterói saltou de quatro para nove no mesmo período, um crescimento de 125%.
A ANP foi procurada para comentar o balanço das autuações, mas não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição. O Procon-RJ, por sua vez, declarou não contar com assessoria de imprensa dedicada à cidade de Niterói.
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