loading . . . Surto de Ebola provavelmente começou meses atrás e se espalhou sem ser detectado O surto de ebola provavelmente começou meses atrás na África Central e se espalhou sem ser detectado até um evento de superpropagação no início de maio, possivelmente um funeral, disseram autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS).
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A rara cepa Bundibugyo circulou por "alguns meses" antes de ser identificada em amostras de sangue em 15 de maio, disse Anaïs Legand, líder técnica da OMS para febres hemorrágicas virais, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira (20). A primeira morte confirmada ocorreu em 20 de abril, e especialistas usaram postagens em mídias sociais para reconstruir o progresso recente do vírus após o evento de superpropagação em 5 de maio.
Dois fatores complicaram os esforços para identificar o vírus mais cedo. As autoridades usaram testes para uma cepa diferente de Ebola, resultando em falsos negativos, e muitos sintomas podem se assemelhar aos da malária, de acordo com Abdirahman Mahamud, do Programa de Emergências de Saúde da agência.
O atraso complicou os esforços para conter o surto, especialmente porque não existem testes, tratamentos ou vacinas específicos para Bundibugyo. A agência afirmou que a versão experimental mais promissora provavelmente levará de seis a nove meses para estar disponível para testes clínicos.
A OMS contabilizou quase 600 casos suspeitos e 139 mortes ligadas ao surto na República Democrática do Congo e em Uganda.
“Esperamos que os números continuem aumentando, dado o tempo que o vírus circulou antes da detecção do surto”, diz o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Tedros alertou para o perigo representado pela "escala e velocidade" do surto até o momento.
O número real de casos pode ultrapassar 800, de acordo com uma análise de pesquisadores do Imperial College London e da OMS, e pode chegar a mil no pior cenário.
Um grupo consultivo técnico da OMS se reuniu na terça-feira (19) para discutir quais vacinas em potencial devem ser priorizadas. Duas vacinas contra o Ebola foram desenvolvidas durante um surto que durou anos na África Ocidental, há uma década: uma da Merck & Co. e outra da Johnson & Johnson. No entanto, ambas foram projetadas para bloquear a cepa Zaire do vírus, mais comum e mortal.
A vacina mais promissora contra a cepa Bundibugyo é semelhante à vacina da Merck, afirmou Vasee Moorthy, consultor sênior da OMS. As doses provavelmente levarão até nove meses para estarem disponíveis para testes clínicos, disse ele. Outra vacina, desenvolvida a partir de uma plataforma da Universidade de Oxford, poderá estar pronta em dois ou três meses, mas ainda não há dados em animais que demonstrem seu potencial, acrescentou.
O Serum Institute of India, fabricante de vacinas, afirmou estar trabalhando com a Universidade de Oxford e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) no desenvolvimento da segunda vacina. A empresa indiana disse que, graças a uma amostra-mãe de Oxford, poderá iniciar a produção de doses em 20 a 30 dias.
Ainda assim, devido à bateria de testes necessários antes que uma nova vacina possa ser administrada a humanos, o início dos testes clínicos provavelmente levará muitos meses, afirmou Richard Hatchett, diretor executivo da CEPI, em entrevista.
“Voltamos à situação de 2014 a 2016, sem tratamento específico e sem vacina específica”, diz Joanne Liu, professora da Escola de População e Saúde Global da Universidade McGill.
Liu, ex-presidente da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), ajudou a liderar a resposta ao surto na África Ocidental.Com tão poucas ferramentas à disposição das autoridades de saúde, talvez faça sentido oferecer uma das vacinas existentes aos profissionais de saúde, afirmou.
Há algumas evidências, provenientes de um estudo com macacos, de que a vacina da Merck, embora não tenha sido desenvolvida especificamente para a cepa Bundibugyo, pode oferecer pelo menos algum grau de proteção, explicou.
— É pedir demais às pessoas — diz ela, observando que a cepa Bundibugyo tem uma taxa de letalidade de 30% a 50%. Oferecer a vacina pode incentivar os profissionais de saúde a continuarem trabalhando no combate ao surto, concluiu. https://sem-paywall.com/http%3A%2F%2Fdlvr.it%2FTSfBKp