loading . . . Presidente do México doa mais de US$ 1.000 de sua conta pessoal para ajudar Cuba A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta segunda-feira que doou pessoalmente 20.000 pesos (cerca de US$ 1.100, o equivalente a quase R$ 5.800) para fornecer ajuda humanitária a Cuba, enquanto a ilha comunista enfrenta uma grave crise energética agravada pelo embargo energético dos Estados Unidos.
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Muitos de seus apoiadores atenderam ao apelo de seu antecessor, Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), para doar alimentos, combustível e medicamentos à ilha. Cuba sofre com uma grave crise econômica, agravada pelo embargo energético imposto em janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas aos países fornecedores de petróleo.
Os prolongados cortes de energia elétrica interrompem a vida diária da maioria dos 9,6 milhões de habitantes do país, e a escassez de combustível praticamente paralisou sua atividade econômica.
— É uma decisão pessoal minha, Claudia Sheinbaum Pardo, doar para uma conta aberta por diversas organizações para fornecer ajuda a Cuba (...) Não tem nada a ver com a minha posição como presidente — disse a líder de esquerda.
Vários membros de seu partido político, Morena, anunciaram publicamente suas contribuições para essa causa nas últimas semanas. Sheinbaum também afirmou que seu governo continuará "apoiando o povo cubano", com quem o México mantém uma relação "histórica".
Opositores criticaram o ex-presidente López Obrador por solicitar dinheiro para outro país e questionaram o governo de Sheinbaum sobre a falta de transparência nas remessas de petróleo mexicano para a ilha, que foram suspensas após as ameaças de Trump, bem como a contratação de brigadas médicas cubanas pagas com verbas públicas.
— Os únicos que não querem apoio ao povo cubano são alguns membros da oposição de extrema-direita (...), o povo do México concorda plenamente que deve haver ajuda humanitária para Cuba — afirmou Sheinbaum.
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Chegada de petroleiro russo
Com autorização dos Estados Unidos, o petroleiro russo Anatoly Kolodkin chegou nesta segunda-feira a Cuba, em meio à crise energética que atinge a ilha após meses de restrições ao fornecimento de petróleo impostas por Washington. Carregado com cerca de 730 mil barris de crude, o navio segue em direção ao porto de Matanzas e representa o primeiro envio do tipo desde janeiro. A operação, acompanhada pela AFP, ocorre após sinal verde do governo de Donald Trump para a entrega, sem que isso represente mudança formal na política de sanções contra o país caribenho.
Segundo dados da plataforma MarineTraffic, a embarcação navegava pela costa norte cubana na tarde de segunda-feira. O envio ocorre após um período de forte escassez de combustível, agravado pela interrupção do fornecimento venezuelano, que aprofundou a crise econômica e energética no país.
Especialistas avaliam que o carregamento pode oferecer apenas um alívio temporário. De acordo com o analista Jorge Piñón, da Universidade do Texas, o petróleo poderia ser convertido em cerca de 250 mil barris de diesel, suficiente para atender a demanda por aproximadamente 12 dias e meio. O processamento levaria entre 15 e 20 dias, seguido por mais alguns dias até a distribuição.
A crise já provocou apagões prolongados, escassez de transporte público e aumento da inflação. Desde o fim de 2024, Cuba enfrentou ao menos sete blecautes nacionais, incluindo dois apenas neste mês.
Imagens dos ex-presidentes cubanos Fidel Castro e Raúl Castro, e do atual presidente, Miguel Díaz-Canel, em Havana neste mês
Ramon Espinosa/AP
Casa Branca mantém sanções
Apesar de autorizar a chegada do navio, o governo americano afirmou que não houve alteração em sua política. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que a liberação será analisada “caso a caso” e não representa uma flexibilização das sanções.
— Não houve mudança formal na política.
A decisão também evita um possível atrito direto com a Rússia, que celebrou a operação. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou considera um dever apoiar Cuba e disse estar satisfeito com a chegada do combustível.
O petroleiro , que transporta cerca de 730 mil barris de petróleo e pertence ao governo russo
Maxar Technologies/ The New York Times
Já Trump minimizou o impacto da entrega.
— Consigam ou não um navio de petróleo, não vai importar — disse o presidente a jornalistas, ao comentar a situação da ilha.
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Reação da população
Entre os cubanos, a chegada do petróleo é vista com expectativa, mas também desconfiança sobre seus efeitos no dia a dia.
— Isso é maravilhoso, claro que vai ajudar muito na situação que temos no país — afirmou à AFP a funcionária estatal Miriam Joseph, de 65 anos.
Outros moradores, porém, avaliam que o impacto será limitado. Para o jardineiro Raúl Pomares, de 56 anos, a "ajuda não significa nada, perto do que o país precisa".
— É um alívio, mas não é a solução — disse o aposentado Orlando Ocaña, de 76 anos.
Cuba produz cerca de 40 mil barris diários de petróleo pesado, usados principalmente para abastecer suas usinas termoelétricas. No entanto, o país depende da importação de diesel e gás liquefeito para sustentar o restante da economia.
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Com a escassez, o governo cubano adotou medidas de racionamento e terá que decidir como utilizar o combustível que chegar: entre geração de energia ou manutenção de serviços essenciais, como transporte e produção agrícola.
Enquanto isso, o governo do México, liderado por Claudia Sheinbaum, informou que negocia com empresas privadas a venda de combustíveis para companhias cubanas, o que pode abrir novas alternativas de abastecimento.
(Com AFP e New York Times) https://sem-paywall.com/http%3A%2F%2Fdlvr.it%2FTRnQh2