avalobot
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Contudo, que expressivo o teu corpo em sua vigilante desmesura!
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O conto encerra-se com a imagem das duas últimas octogenárias, contemplando-se na sala, sentadas, os velhos punhos cerrados.
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VĂŞ-se a morte no seu rosto.
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(como, em face deste mundo, amar a um ser Ăşnico?)
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Ao sabor dessas alternâncias, meus perĂodos, irregulares e Ă s vezes lancinantes, sem que ninguĂ©m saiba, oscilam.
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As peças voadoras progridem sobre o vale, mais brilhantes à medida que progridem e de repente eu posso ver quanto diferem das formas — naturais ou mecânicas — destinadas ao trânsito no ar.
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Vejo-me, primeiro, durante o breve momento em que CecĂlia, cravando os dentes no meu ombro, ordena rouca: "Mais!".
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Simultaneamente, como se um lĂquido espesso me cobrisse os olhos ou ainda como se inadvertido eu forçasse um estrabismo, vejo duas CecĂlias e uma sobressai da outra, ligeiramente.
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Começo a beijá-la.
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O que será de tudo, se também nos arrancam a força de amar? A alegria de amar? A raiva de amar?
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O pĂł acumula-se sobre os espelhos, os vidros das janelas e as olheiras das primadonas.
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(A voz rouca e o travo de melancolia.)
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Aqui, o texto, em caracteres totalmente desconheci dos e resistentes Ă decifração, entra pelas bordas, vindo do mundo exterior, vindo do princĂpio — e enrosca-se em espiral, girando para o centro.
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NĂŁo recebemos a luz diretamente.
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Abre, sentada na cama, o quimono com crisântemos azuis e as luzes do parque, móveis, refletidas nas paredes brancas, revelam em parte o ventre e os peitos volumosos com as rosetas vibrantes.
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Abel me olha, olha-me atravĂ©s do corpo de CecĂlia, olha-me com triunfo (ele, o batido) e nĂłs o vemos atirando-se com asas no centro inviolado de CecĂlia.
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— O que aterra no rosto fosforescente do IĂłlipo Ă© ser quase sempre invisĂvel.
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Respira fundo e rápido, descomposta, os peitos livres acentuando a agitação com que sorve o ar pelas narinas e também pela boca.
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Há agora no seu peito, furando o couro, um bico. Um bico adunco, como se uma ave de presa, embutida no cão, tentasse dilacerá-lo, e sair
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O vocabulário precioso torna a frase impessoal.
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Hermelinda e Hermenilda, assim nos chamam.
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Pela centésima vez, Hayano rompe o silêncio e me pergunta: "Por quê?". Para ele, tudo tem causa, por força. Pela centésima vez deixo de responder e o silêncio instala-se novamente entre nós.
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Trespassados pelo corpo de Natividade os corpos parecem engrenagens malignas, dilaceram o couro crestado dos beiços, furam os olhos cegos, rasgam a casca de rugas e descobrem — mas sem dentes, e também cortam fundo — a cara da menina negra que, iludida, canta no algodoal.
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Caio com a boca na areia e antes que inicie um gesto fazem-me rolar com pontapés à altura dos rins.
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O verdadeiro motivo da viagem encontra a sua justificação num inflexĂvel jogo de alternâncias.
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Não me movo e continuo despido, embora esfriasse com a madrugada e rápidos golpes de vento façam gemer a aldrava da janela.
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Leões?
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Um favo que se rompe, um figo muito doce que se abre — e o mel escorre-me entre as coxas.
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Eu te amo, com garras e com dentes, ama-me. Vem a penúria? A desolação dos tempos? Vem o apocalipse? As bestas flageladoras? Venham. Estamos enlaçados. Vivos estamos. Amamos. Garras e dentes.
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Amada: quando incontáveis seres conhece e cruza o homem sem que seu próprio ser se amplie, avance e alcance, tu me conduzes (para onde, para onde?) e não casualmente rondamos nós os limites deste bosque no qual perpassam aparições.
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Logo ele a verá de um modo novo, vária e múltipla, habitada na carne por visões ou corpos — e sob reverberações, como aclarada pelo Sol rebatido em mil facas oscilantes.
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Sob a Cidade há outras.
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Gatos passeiam no alpendre.
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Ejaculo meu Ăłdio, meus testĂculos soluçam, choro pelo pĂŞnis, ouço-o gemer.
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Tudo, passado o relâmpago, é cinza e fogo extinto, tudo que não seu corpo: nele — um dom, um estado, um merecimento — perdura este brilho precioso e réstias latejam no espessor da carne.
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a minha voz é uma voz de condenado, boca contra boca lançamos sem governo gritos e gemidos e palavras cortadas meu amor que maravi eu te e ovelhas e cães se enlaçam em nossas bocas e gazelas e leões revoam mariposas também em nós heliantos florescem
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Ama-se o que em quem se ama? O que, em quem amamos, faz com que o amor se manifeste? O ser (visĂvel) ou sua histĂłria, que ouvimos?
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NĂŁo agirĂamos, porĂ©m, com tanta precisĂŁo, se realmente nada soubĂ©ssemos do que nos cumpre e cabe.
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Roos prolonga a conversa trivial e dá sinais — discretos, embora — de que rever-me não a aflige.
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As representações são sempre enigmáticas, alusivas, fracionárias e quase nunca contempladas na sua totalidade.
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CecĂlia continua de pĂ© Ă minha frente, o peso do corpo repousando sobre a perna esquerda, dominando os leões, sob o luar.
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CecĂlia vĂŞ primeiro: "Olhe, Abel, o cavalo vem sĂł, puxando o cabriolĂ©".
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Minha cabeça nos rios azuis de Roos. Sorvo a tepidez das suas coxas, vejo o sol no alto e o seu belo rosto entre ramagens, fito-a, sinto-a, ouço-a, e com fruir estes favores me movo desdobrado em rios numerosos.
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Em todas as paredes, janelas abertas, e as janelas olham para outras salas rodeadas de janelas através das quais veem-se as janelas de novas e estranhas salas, e tão numerosas são as salas que cada uma é o centro das demais.
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Como se eu fosse uma escultura de areia fina e cada grão uma voz, uma palavra e suas danações.
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Vejo-me sob os seus ombros e: o que está calcinado, o emperrado, o silente, o seco, o sombrio, verdeja, move-se, responde, jorra, esplende, sem o frescor — é certo — das coisas novas e ainda não ofendidas.
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Abel sopra em meu ouvido que nenhum manto haverá tão esplêndido, deito a cabeça, rindo, sobre meus próprios pulsos, alegre de exibir minha nudez.
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Há no seu aspecto um certo ar de amante ludibriada, em busca de reparação ou ajuda.
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CecĂlia desaparece: uma semana sem vĂŞ-la.
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As flores do quimono sempre aberto recuperam o viço e entre a pele de ఠe o espaço que a envolve é como se houvesse um leve pêlo intocável e transparente, matéria sem nome, luz e carne, uma gradação misteriosa.
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