avalobot
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Beijo com brandura as pouco numerosas sardas dos seus ombros e espalmo os peitos que, deitada de costas, pendem, os bicos semelhantes a botões de flor, de um lado e outro do torso, volumosos.
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Por outro lado, recusamos dormir, suportando uma presença cáustica: a descoberta deste grave amor que em nós estende suas folhas urticantes.
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o ar que expira e seu odor ácido e quente, jasmins abertos Sol meio-dia, outro sexo oculto no seu sexo mastiga a glande atônita, exaure-se a cantata e cresce, entre súplicas e gritos, o compasso do relógio, Julius os engenhos conjugados de som
about 3 hours ago
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A luz da tarde, diluĂda nas nuvens, na chuva, refletida nas poças e nos niquelados do Ă´nibus, torna mais tĂŞnue a meus olhos a pele de CecĂlia.
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Abro a gaveta (seu odor de pólvora) e examino o trabalho já extenso sobre as quatro velhas.
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Mas, se no tapete eu visse o Todo, também veria além dos limites, e, então, nada mais veria.
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Assim, dos grandes espaços, um gato cósmico estende-me a garra. Mas cuidado! Não supor que por causa desse gesto me pertencerá. Logo recolherá a garra e ele mesmo, em seguida, se recolherá a outro gato, de que — quem sabe — é a unha.
about 7 hours ago
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Conciliam-se, bem vejo, contrários em CecĂlia; e nĂŁo posso isolar, na sua carne, a Mulher e o Homem.
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Ecoam, no silĂŞncio, nossos suspiros, meus gemidos e as surdas palavras que ele me sopra.
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Cálida, seca, tensa, flácida, úmida, imberbe, macia, túmida, gélida, em fogo, fresca, tépida, é o mesmo tecido atento e inflamado que responde aos meus gestos errantes.
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Assim, sem que se altere a unidade do quadro, o espaço, terreno e aĂ©reo (levitação das árvores, existĂŞncia de seres alados), completa-se: eis, invisĂvel, um lago.
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Sem ânimo sequer de abrir os olhos, porém com um novo e passageiro sentido à espreita em algum ponto do meu ser (ou este sentido é o meu ser total que se aguçou?), percebo os lentos e solenes movimentos do mundo, a montagem da máquina.
about 12 hours ago
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A rigor, eu já devia estar do outro lado da Terra.
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Cascas de palavras, dentro da morta, nem eu próprio as reconheço, estranhas, falar é nada e ninguém mais me ouve, eu não me ouço, ninguém mais, ninguém.
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Publius Ubonius não tem ilusões: a peregrinação será interminável.
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Bichos cruzam-se em nós, inquietos, gamos com leões, ovelhas com cães.
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Tivessem os habitantes deste corpo o caráter de imagens, de representações, limitar-se-iam a repetir palavras e ações de outro tempo, submissos a uma realidade outra, exterior a eles e já ultrapassada.
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Abel beija-me os pés.
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A mĂŁe do iĂłlipo nunca volta a conceber.
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Não viverei sequer mil anos, minha vida é rápida, risco no tempo, tal como um peixe salta um dia acima da vastidão do mar
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Acaso nĂŁo serei o quem, Abel? O onde? O porquĂŞ? NĂŁo Ă© a mim que procuras?
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Toda a noite da véspera, cruzando despertar e adormecer, mãos desconhecidas mantêm contra a parede do meu quarto um lençol desdobrado.
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uma espĂ©cie de beleza solene e vagamente aterradora — seus gumes acerados —, placas lĂvidas no rosto, o peito imĂłvel, a mĂŁo direita sobre o sexo como se nele se aquecesse, bate o coração?
about 23 hours ago
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Todos os meus gestos, palavras, atos — segregado e só que sou — seriam um simulacro desse amor, trespassado de ilações misteriosas.
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Eu estranho a ausência do carneiro, o cabriole está perto, tornam-se mais espaçados os passos do cavalo.
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Assim, frente a frente, com a nossa ajuda malsĂŁ, eis CecĂlia e Abel. A eles cabe apertar o laço por nĂłs urdido. QuisĂ©ramos estender entre ambos uma distância qualquer — para que nĂŁo se ligassem.
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Ela, de pé ainda, afaga a minha cabeça e comprime-a a espaços, incontida, contra os pêlos fofos como uma cabeleira crespa e onde respiro uma tarde mais quente e ecoante de perfumes que esta de novembro.
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CecĂlia me olha, de face. Seu olhar uma chapa — negra, larga e brilhante, folha de pedra, impessoal e densa. Rompe-me os barbantes da alma com esse olhar
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Pousa-a depois sobre o tapete e, soerguendo-se um pouco (avulta dentre as coxas o negro e abundante tosão), despe o vestido, joga-o no meio da sala e atira os cabelos para trás com um movimento de cabeça.
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Está mergulhando para o Nada, Abel? Hein? Em pagamento de quê?
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Sinto, como se abrisse ou se rompesse o frasco, o perfume lancinante que usa e vejo Ă plena luz do dia a magnitude do seu corpo, de si apenas ornado e dos reflexos que o embebem.
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Ouço o barulho do mar e vejo as grades da cama, as palmas do coqueiro, o leão rampante.
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Homens e mulheres, ociosos ou entregues a afazeres rĂşsticos, inclusive os lavradores que com ela irrompem no chalĂ© (plantam e capinam na carne de CecĂlia, sem que chegue a mim o rumor dessas tarefas), movem-se no seu corpo.
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Pássaros cantam ainda no telhado e no quintal, sob as árvores frutĂferas.
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— Abel, eu te amo.
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Ăšnico ser humano: o que me segue, sombra.
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Natividade, apertando o dinheiro no bolso do vestido e procurando entender, para no meio da escada.
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Homens e mulheres deslizam do seu corpo, andam entre as cadeiras e as mesas rĂşsticas deste restaurante assentado entre coqueiros.
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Amando as convergências, o que de convergente há no teu ser havia de atrair-me.
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Sem nada suspeitar, chegamos ao ápice.
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Deitados sobre as folhas, lado a lado, somos conduzidos através das estrelas pela Terra.
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Tateio as sombras e minhas mãos se afastam, desprendem-se dos braços, os braços do tronco e as pernas se desmembram.
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Restam as argolas de prata nos pulsos, também delas se desfaz subitamente concentrada, solta-as ao acaso, as argolas giram em várias direções, antes que se imobilizem eu arranco as roupas que ainda me cobrem.
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Grandes coroas de flores postas nos passeios — nomes de fuzilados nas fitas ainda úmidas da chuva — alternam-se com bicicletas estacionadas.
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O rosto pálido e tenso, pálpebras cerradas, a respiração fora de compasso.
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Quer ver apenas o olhar que todos trazem, o olhar que o vĂŞ sem o relevo e a cor com que ele deve ser visto? Que o veja.
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Quando transitas em meio à multidão, ouço teu rosto, como se fosse um cântico, um solene e jubiloso cântico alçando-se da brutalidade.
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As mĂŁos enluvadas do homem repousam sobre a corneta de chifre.
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Eu os criei; agora, danem-se.
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Passamos por cidades escuras, rios de lama negra, galgamos montes de trevas e descemos encostas ainda mais sombrias.
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