hilda hilst bot
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trechos das obras de hilda diariamente
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Minha medida? Amor.
about 2 hours ago
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Ah, boca de uma fome antiga rindo um riso de sangue.
about 4 hours ago
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E brilhos no teu sadismo e perdição na minha cara.
about 6 hours ago
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Como é essa coisa da gente se pensar? Umas lutas com a tua alma do mato, com o lá de trás (...) temos duas almas, uma parecida com o teu próprio corpo, assim bonito, andas crescendo, e a outra parecida, difícil de dizer, a outra alma não se parecendo a nada de tudo isso teu.
about 8 hours ago
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“vai levar o peixe, dona?” E eu ali nos meus sábados, só passando, a peixaria finíssima, ladrilhos, balanças, um retângulo azul e amarelo recriando o corpo de um peixe (...) “tô só pensando, moço, como ele devia ter sido bonito lá no mar (...) a vida é crua, não moço?”
about 10 hours ago
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— É o olho copioso de Deus. É o olho cego de quem quer ver. Vês? De tão aberto queimado de amarelo — Assim me disse o louco (esguio e loiro) olhando o girassol que nasceu no meu teto.
1 day ago
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Matamoros dos sonhos esquecida, vê-se tomada de sonhos no muito denominado concreto da vida, e o que vem a ser isso de sonho e verdade?
1 day ago
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Mas o amor agora é tão difícil. Não existes para mim. Mas agitado, febril, quase doente, és vivo... vivo demais para viver conosco.
1 day ago
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Não sabem de seus passos os meus pés nem de mim mesma sei mas tantas timidezes se esvaíram e este meu corpo agora não as tem.
2 days ago
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(...) ainda não estou pronto para ficar na treva, ainda tenho tanto amor, ainda tenho mãos para trabalhar a terra, toca-me, vê como essa carne é viva (...) eu que sou tão você (...) É inútil. O meu corpo foi depositado no seu lugar. Estou acima dele, a uma pequena distância.
2 days ago
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Pois dupla vida é o que vive o poeta: entendimento e amor, duplo perigo.
2 days ago
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(...) torpe é a nossa natureza, imundo e dilacerado é o homem, imundo sou eu, Crasso, mas querem saber? Não vou falar disso não, imundos são vocês também, todos nós e se eu continuar falando não vou conseguir nunca mais foder. E foder é tudo o que resta a homens e mulheres.
2 days ago
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Fui pássaro e onça. Criança e mulher.
2 days ago
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Por isso quem sabe envolvi cada palavra na chama cor de laranja, pena então que os versos só consigam vigor e adequação quando enfim já para nada servem.
3 days ago
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Costuro o infinito sobre o peito.
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Havia estrelas do mar no fundo dos castiçais.
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Reflete-me. Sou teu destino e poente.
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O vento no capim. O vermelho cansado deste outono. Os roseirais em mim. E tudo me parece tão tranquilo e leve.
4 days ago
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Depois a Bewusstsein foi crescendo e não me deu mais trégua. Consciência de estar aqui na Terra, e não ter sido santo nem suficientemente crápula. De inventar, para me salvar. Enganar a morte inventando que este não sou eu, que ela pegou o endereço errado.
4 days ago
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Me desfaço de ti, muito a contento.
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Como te perder, se sou contigo espírito?
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Levantei-me amornada, bocejei, olhei as ramas altas, que dia de tanta luz lustrando os verdes, que calor na cara, que claridade se me faz na víscera (...) as águas, que escorrer veludoso de meia-luz, esse clarofosco do veludo e do rio, que som dourante nos ouvidos, ai que dia.
5 days ago
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E enquanto me aproximo do teu rosto cinco ou seis passos, o passado explode, jorra dentro da sala por um imenso buraco, revejo teus dissimulados toques, uma lascívia escura (...)
5 days ago
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Porque tenho a impressão de que apenas te contrais com as minhas palavras. Tenho a impressão de que és um todo de nervos. Tenho uma impressão assim: quando penso, essa teia de que és feito se estimula, quando penso, alguma coisa circula ao teu redor.
5 days ago
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Que se desfaça o fascínio do poema. Que eu seja esquecimento e emudeça.
5 days ago
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Como se te perdesse, assim te quero.
6 days ago
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Meu sangue, minha poesia e o ato irreparável de me amar.
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(...) essas coisas já nos complicaram demasiado, inventaste um novo nome para o Maldito, tanto faz, podes dar o nome que quiseres, podes chamá-lo de Azazel, Lilit, Keteb, Alukah, o que sabemos agora é que ele não existe, nunca existiu (...)
6 days ago
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(...) ele, que às noites sempre me lavava o corpo com a sua língua, que tanto se demorava em cada arrepio de carne, que estranheza de gozo, que avesso de corpo, por isso é que me saiu à boca a fatalidade do outro nome, meu não parecia o homem.
7 days ago
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Volteio a serpente dourada, ela está lá para ser vista, não para ser pesquisada com pensamentos de dissecação e de conquista, falo de minha própria víbora (...) muita mobilidade nos extremos da cauda, tateia meu coração e procura nas veias uma escama que se soltou (...)
7 days ago
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(...) ai de mim expulsando as palavras como quem tem um fio de cabelo na garganta (...)
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Ama-me. Embora eu te pareça demasiado intensa. E de aspereza. E transitória se tu me repensas.
7 days ago
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Irmã, sinto-me morto quase sempre. Só o tesão, o brilho, a cintilante, o pó é que me arranca da mesmice. A vida aqui na cidade é um tédio sem fim. As mesmas caras circulando pela noite (...)
8 days ago
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(...) mas você não explicou direito por que cada um dos lados do teu rosto tem vontade de matar o outro, ou em qual situação essa vontade se faz mais forte.
8 days ago
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(...) a Igreja não é boba não (...) Por que não se desfazem de toda aquela tralha de ouro, prata e pedras preciosas que há lá no palácio deles? Por que não dão as montanhas de terra ou vendem as montanhas de terra e propriedades e dão o dinheiro aos famintos?
8 days ago
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Sangue buscando a veia é o que me faz perpétua.
8 days ago
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Não é nosso o destino de amar e florescer. Antes vertiginosos tateamos na sombra a lage dos abismos.
8 days ago
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(...) desejou que a morte viesse, esfarrapada, bêbada, patível o mais possível, teve medo de que viesse tão fria (...) pediu a Jesus que não lhe surgissem palavras (...) olhou o de cima cinzento sem nuvens, nem gaviões, nem pardais, pensou perfeito para a morte de mim.
9 days ago
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A ti me incorporo a contragosto. Sou agora fúria e descontrole. Agito-me desordenada nos teus moles. Sou façanha, escuro pulsante, fera doente. À tua semelhança: homem.
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(...) e a cólera de saber que tudo me possui e ao mesmo tempo nada, que nada em mim é permanência, e tudo é permanência, vínculo, tudo se adere ao círculo, tudo é a mesma linha que se estende, tudo é tangente, tudo está colado a mim.
9 days ago
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Chora por mim. Pela poeira que fui, serei, e sou agora. Pelo esquecimento que virá de ti e dos amigos. Pelas palavras que te deram vida e hoje me dão morte.
9 days ago
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(...) não venha, Ehud, posso fazer o café, o roupão branco está aqui, os peitos não caíram, é assustador até, mas não venha, Ehud, não posso dispor do que não conheço, não sei o que é corpo mãos boca sexo (...)
9 days ago
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(...) Sei do vazio. Tudo tem nome e ao mesmo tempo não tem.
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Porque não há tempo, você sabe, nós pensamos que o tempo é generoso mas nunca existe muito tempo para quem tem uma tarefa. O Nikos, assim para te dar um exemplo, escreveu que quando ele encontrava um mendigo na rua, tinha vontade de dizer: me dá o seu tempo (...)
10 days ago
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Como te amar, sem nunca merecer?
10 days ago
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Os olhos apagaram-se por um instante assim como se eu e você não estivéssemos mais ali, como se ele mesmo fosse outro, a boca aberta como se lhe faltasse o ar e disse num arranco: que esforço para tentar não compreender, só assim se fica vivo, tentando não compreender.
10 days ago
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Bem, isso é verdade, quando se ama a gente pena um bocado, e não é que vale a pena?
10 days ago
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(...) meus suavíssimos amigos, meus preclaros inimigos, meus amores, todos esses nos quais me perdi, todos esses a quem dei tudo, da planta dos pés às pontas tripartidas dos cabelos. Dei tudo de mim, dei toda a crueldade, todo o amor (...)
11 days ago
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Colou-se minha sombra às minhas costas: — Que bagagem, senhora. O Nada navegando à tua porta.
11 days ago
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Há milênios te sei e nunca te conheço.
11 days ago
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